E assim como a mais bela ironia do destino, mesmo que eles não acreditassem em destino, ambos acabaram se esbarrando, dias depois, porque de fato, era para eles se conhecerem, de qualquer jeito, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Ele ficou nervoso, não sabia o que dizer, e ela falava demais, e ele ficou encantado com o jeito dela, afinal, ela falava tudo que vinha a cabeça, sem se preocupar com as palavras, mal sabia ele, que ela não conseguia se controlar, e por mais que seja clichê citar isso, ele tinha um sorriso totalmente desconcertante, daqueles que você fica com vontade de sorrir só porque ele também está sorrindo, sem falar do som que ele fazia quando sorria, era uma coisa boba, calma, diferente...
E entre tantas coisas ditas com os olhos, e entre tantas coisas que não precisaram ser ditas, da forma mais impulsiva já existente, ele soltou:
- Você já se apaixonou alguma vez?
- Eu?
- É.
- Ah, eu me apaixono todos os dias.
- Eu?
- É.
- Ah, eu me apaixono todos os dias.
E assim ele sabia que era o mistério dela que ele queria viver, que era as entrelinhas dela que ele queria aprender a ler...
Ela sabia que podia citar tantas outras coisas, sobre o quanto ela era apaixonada pela vida, ou por literatura, sobre o quanto ela amava os textos da Tati Bernardi, ou do Caio Fernando Abreu, ou de tantas outras coisas, mas ainda sim preferiu calar ao invés de falar, justo ela, que amava o tagarelar, e resolveu deixar o momento falar por si.
E ele sem saber o que responder soltou:
- Você acredita em amor ou paixão a primeira vista?
- Depende.
- Depende por quê?
- Eu não acreditava, mas aí, eu conheci você!
- Depende.
- Depende por quê?
- Eu não acreditava, mas aí, eu conheci você!
- (...)
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